Atividade reuniu especialistas da Holanda e do Reino Unido e integrou docentes de diversas instituições brasileiras em Ribeirão Preto
A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP sediou, na última semana, duas oficinas internacionais dedicadas ao fortalecimento da pesquisa em educação nas profissões da saúde e ao desenvolvimento da carreira docente.
Conduzidas pelos professores John Sandars, da Edge Hill University, no Reino Unido, e Dario Cecilio Fernandes, do Institute of Medical Education Research Rotterdam, na Holanda, as atividades reuniram 30 participantes da FMRP, de outras unidades do campus e de universidades como a Universidade Estadual Paulista (Unesp), a Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM) e a Universidade de Campinas (Unicamp).
Organizadas pelo Centro de Desenvolvimento Docente para o Ensino (CDDE), as oficinas tiveram como objetivo promover qualificação, troca de experiências e aproximação com especialistas internacionais que atuam na fronteira da educação em saúde. Segundo o professor Valdes Roberto Bollela, do Departamento de Clínica Médica e coordenador do evento, o principal objetivo dessas oficinas é trazer a experiência de professores internacionais em educação médica para treinar, conversar e estabelecer cooperações com os professores participantes.
A programação foi estruturada em duas frentes: pesquisa e publicação científica; e desenvolvimento de carreira e resiliência acadêmica. Na primeira, os docentes discutiram estratégias de escrita, tendências globais da área e metodologias de pesquisa aplicadas à educação em saúde. “Buscamos abordar especialmente a habilidade para realizar artigos e publicações na área de educação em saúde, algo que já fazemos, mas que pode melhorar”, explica Bollela.
Já na segunda oficina, foram discutidos os desafios da trajetória docente, abordando gestão do tempo, superação de rejeições, identidade acadêmica e satisfação profissional. “Queríamos ajudar os professores, especialmente os mais jovens, a compreender o processo da carreira e trabalhar isso de forma interessante e produtiva, com resultados não só acadêmicos, mas também do ponto de vista pessoal”, afirma.
Internacionalização e integração entre instituições
A presença dos professores Sandars e Fernandes ampliou o alcance das discussões e permitiu conectar o trabalho realizado na FMRP com experiências globais. Sandars, aposentado da Universidade de Manchester e com atuação na África, Ásia e Europa, trouxe repertório consolidado em pesquisa e publicação. Fernandes, brasileiro atuando na Universidade de Roterdã, compartilhou vivências de pesquisa na Holanda e abriu novas possibilidades de cooperação científica. “A experiência deles, somada à possibilidade de fazermos parcerias com a Holanda e com o Reino Unido, é chave para muitos dos nossos professores”, destaca Bollela.
O evento também reforçou o diálogo entre diferentes unidades da USP Ribeirão Preto e outras universidades que desenvolvem projetos colaborativos em educação em saúde. “Conseguimos fazer uma triangulação com várias instituições de ensino, colaborando não só com os docentes da FMRP, mas com parceiros que também atuam na educação em saúde”, avalia.
Em relação ao engajamento, os temas que mais mobilizaram os participantes, segundo Bollela, foram aqueles voltados à publicação científica e ao planejamento estratégico da carreira. O professor também adiantou que as ações devem continuar. “Há planos para ampliar essas iniciativas. Já teremos uma oficina em fevereiro com um professor do Canadá, editor de uma das principais revistas de educação médica do mundo, e queremos trazer outros especialistas regularmente”, afirma.
Ele reforça que as atividades fazem parte de um movimento mais amplo de internacionalização do CDDE. “Temos buscado a internacionalização tanto com ações no exterior quanto trazendo especialistas para auxiliar nossos professores e os docentes do campus”, conclui.
As iniciativas reforçam o compromisso da FMRP em consolidar-se como referência nacional na formação e qualificação docente em educação em saúde, ampliando conexões internacionais e fortalecendo redes colaborativas.