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Fotomontagem: Departamento de Biologia Celular e Molecular

Portas decoradas unem laboratórios e espaços administrativos na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto

Ação natalina no Departamento de BioCel mobilizou servidores, docentes e estudantes, transformando a rotina em um momento de confraternização

Guirlandas feitas com materiais de laboratório, árvores montadas a partir de teses acadêmicas, presépios improvisados com frascos científicos e personagens inusitados em vídeos nas redes sociais transformaram os corredores da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.

A iniciativa, realizada no departamento de Biologia Celular e Molecular (BioCel), mobilizou cerca de mil votos nas redes sociais e encerrou o ano com um café coletivo que simbolizou integração, pertencimento e bem-estar no ambiente acadêmico.

A ação consistiu na decoração de portas de Natal em dez setores, totalizando 10 portas decoradas. Criada de maneira informal, a proposta gerou grande engajamento entre servidores, docentes e estudantes, criando um espaço de convivência e interação para além das atividades acadêmicas e administrativas do cotidiano.

“É comum que, no final do ano, as pessoas estejam mais cansadas e sobrecarregadas. Esse movimento criou uma expectativa positiva, de aguardar cada decoração ficar pronta e se surpreender com a criatividade de cada equipe”, destaca a professora Mariana Kiomy Osako, do Departamento de Biologia Celular e Molecular da FMRP, uma das articuladoras da iniciativa.

Da brincadeira à tradição coletiva

A ideia teve início em outubro, durante o período do Halloween, a partir de uma provocação bem-humorada entre duas técnicas do Departamento de Biologia Celular e Molecular: Silvia Regina Nascimento, conhecida como Silvinha, e Tânia Defina. O desafio informal de decorar as portas despertou a curiosidade de outros laboratórios, que passaram a aderir espontaneamente à proposta.

“A resposta foi imediata. Técnicos, estudantes e servidores passaram a planejar juntos as ideias, muitas vezes utilizando materiais do próprio cotidiano de laboratório. Foi uma delícia vir trabalhar e se surpreender com cada porta pronta. A criatividade e o empenho dos participantes marcaram esta edição”, conta Tânia.

O sucesso da experiência levou à formalização simbólica da ação, com a criação de uma premiação interna. No Halloween, foi entregue o 1º Prêmio Silvia Regina, em referência à técnica que se destacou pela criatividade e participação ativa, inclusive em vídeos temáticos que rapidamente ganharam repercussão nas redes sociais.

Diante do engajamento, o desafio foi relançado para o Natal, desta vez com uma regra clara: cada decoração deveria conter um elemento que representasse o trabalho desenvolvido naquele setor. O resultado foi um conjunto diverso de criações que dialogavam com as linhas de pesquisa, a rotina dos laboratórios e o espírito festivo de fim de ano. Um laboratório do Departamento de Fisiologia também aderiu à proposta, demonstrando que a iniciativa foi ampliada e tende a crescer.

Votação, categorias e reconhecimento simbólico

A votação reuniu aproximadamente mil registros e envolveu a comunidade interna da FMRP, além de amigos e familiares dos servidores. A porta mais votada foi a da secretaria do Departamento de Biologia Celular e Molecular, que também venceu a categoria “Melhor Uso de Teses”. A responsável pela decoração foi a secretária Camila Fabris, que transformou materiais institucionais em elementos centrais da criação.

“Comecei a decoração ao final do expediente, em um dia bastante estressante. Decidi aprender a fazer uma estrela de Natal usando uma pasta com o logo da USP e, a partir disso, surgiu a ideia de montar uma árvore com as teses do programa de pós-graduação”, relata Camila. Para ela, iniciativas como essa têm impacto direto no clima organizacional. “Elas estimulam o convívio e a troca entre grupos que nem sempre têm oportunidade de interagir de forma descontraída.”

Diferentemente da edição de Halloween, no Natal todas as portas receberam algum tipo de destaque, com categorias criadas para valorizar a especificidade e a criatividade de cada decoração. A proposta reforçou o caráter inclusivo da ação e ampliou o sentimento de reconhecimento entre os participantes.

Corredores mais vivos e interação ampliada

Ao longo do período de decoração e votação, a iniciativa ultrapassou os limites dos departamentos envolvidos. Professores que circulavam para reuniões institucionais se surpreendiam com as portas decoradas, estudantes paravam para registrar imagens e colegas de outros setores manifestaram interesse em reproduzir a ação em seus próprios departamentos.

“Esse tipo de atividade cria um tema comum para conversas e aproxima pessoas que muitas vezes apenas se cumprimentam pelos corredores”, destaca Mariana. Segundo ela, a divulgação espontânea nas redes sociais também contribuiu para ampliar a visibilidade do evento e estimular a participação.

Para o mestrando Lucas H. M. Falcione, a experiência foi singular. “Foram atividades criativas que fogem da atuação cotidiana dos laboratórios. Colegas de outros departamentos e até de outras unidades do campus vinham ver as decorações. Isso fortaleceu muito o sentimento de pertencimento”, avalia.

Integração como valor institucional

A ação dialoga diretamente com valores da FMRP, como o incentivo à convivência, à criatividade e à construção de ambientes acolhedores. Em um contexto acadêmico frequentemente marcado por prazos e alta produtividade, momentos de descontração coletiva reforçam vínculos e fortalecem a cultura institucional.

“O departamento ficou enfeitado, vivo e mais alegre”, resume Tânia Defina. A percepção é compartilhada por Camila Fabris, que destaca o potencial transformador da iniciativa para as relações de trabalho no cotidiano universitário.

O café coletivo que marcou o anúncio dos vencedores simbolizou o espírito da ação, reunindo pessoas em torno de um propósito comum, sem hierarquias ou formalidades. Mais do que portas decoradas, a iniciativa mostrou que pequenos gestos podem gerar impactos positivos no clima organizacional e nas relações humanas dentro da universidade.


Eduardo Nazaré

Dr. Fisiologia — Assessoria de Comunicação da FMRP-USP