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Foto: Isabelle Rodrigues/Dr. Fisiologia

Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto inaugura novo Centro de Pesquisa em Ciências Biomédicas

Com investimento de R$ 149,2 milhões e 25,4 mil m², CPCBio reunirá cinco departamentos, mais de 75 grupos de pesquisa e infraestrutura de padrão internacional​

A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP inaugurou nesta segunda-feira (15), em Ribeirão Preto, o Centro de Pesquisa em Ciências Biomédicas (CPCBio), consolidando a cidade como um dos principais polos de pesquisa em saúde do país. Com 25.400 m² de área construída, o novo prédio consolida a expansão da infraestrutura dedicada ao ensino, à pesquisa e à inovação em ciências biomédicas na unidade.

A cerimônia contou com a presença do vice-governador do Estado de São Paulo, Felicio Ramuth, do reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, da secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, Stephanie Yukie Hayakawa da Costa, do diretor da FMRP, professor Jorge Elias Junior, da vice-diretora da FMRP, Marisa Marcia Mussi, além de autoridades, docentes, pesquisadores, estudantes e técnicos.

“Marco na história da FMRP”

Infraestrutura oferece padrão internacional para a pesquisa em ciências biomédicas — Foto: Isabelle Rodrigues/Dr. Fisiologia

Para o diretor da FMRP, o professor Jorge Elias Junior, a inauguração do CPCBio representa um marco na história da unidade, do campus de Ribeirão Preto e da própria USP, com impacto direto na pesquisa em saúde no Estado de São Paulo. “O novo prédio oferece uma infraestrutura de alto padrão e de grande porte, potencializando o excelente trabalho dos professores e pesquisadores da FMRP, que atuam como motor de inovações e descobertas científicas, buscando novas terapias, como fármacos e biofármacos, e novos métodos diagnósticos para várias doenças”, afirma.

O diretor da FMRP ainda acrescenta que o centro “terá impacto na produção científica da unidade, ao criar condições ideais para o desenvolvimento de pesquisas avançadas e permitir a redistribuição de atividades administrativas para o Prédio Central, ampliando espaços para atividades acadêmicas, científicas, culturais e de convivência”.

No campo da formação, a expectativa é que estudantes de graduação, pós-graduação, residentes e pós-doutores tenham acesso a uma infraestrutura contemporânea e a projetos interdisciplinares e internacionais, contribuindo para a formação de uma nova geração de cientistas com visão global, sólida base técnica e capacidade de inovar em benefício do SUS e da população brasileira.

Estrutura, departamentos e áreas de atuação

Concebido há mais de uma década, o CPCBio nasceu da necessidade de centralizar e modernizar a infraestrutura de pesquisa da FMRP. O centro será ocupado pelos departamentos de Fisiologia, Farmacologia, Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos, Bioquímica e Imunologia, e Genética, integrando competências sob o mesmo teto.

Mais de 75 grupos de pesquisa atuarão em áreas como biologia estrutural e molecular, genômica e metagenômica, terapia gênica pré-clínica, proteômica, metabolômica, doenças infecciosas, imunologia e neurociências, com foco em aplicações em saúde, biotecnologia e desenvolvimento de fármacos e biofármacos.

A secretária executiva de Ciência, Tecnologia e Inovação, Stephanie Yukie Hayakawa da Costa, chamou a atenção para o caráter interdepartamental e colaborativo do centro. Para ela, inovação “não se faz sozinha”, e o CPCBio materializa anos de incentivo a iniciativas que integram diferentes departamentos dentro da universidade. O novo espaço, destacou, deve contribuir não apenas para o ensino, mas para a pesquisa que leva à inovação.

Infraestrutura científica de ponta

Em sua fala, o vice-governador Felicio Ramuth ressaltou a dimensão do empreendimento e o compromisso do governo estadual com o financiamento da universidade pública e da pesquisa. “São 25 mil metros quadrados, 187 salas e 238 laboratórios, números gigantescos que vão se transformar em produção de ciência e de inovação”, afirmou, ao reforçar que a universidade continuará sendo prioridade na agenda do Estado.

O CPCBio se destaca por sua plataforma de facilities com laboratórios multiusuários e serviços voltados tanto aos grupos internos quanto à comunidade científica do Estado de São Paulo. O centro reunirá equipamentos avançados de microscopia, análise genômica, citometria de fluxo e análise de biomoléculas, além de robusta infraestrutura de bioinformática para o processamento de grandes volumes de dados biológicos. O prédio contará ainda com ambientes controlados, como salas de cultura celular com níveis de biossegurança 2 e 3, e um biotério de excelência, condição essencial para pesquisas em terapia gênica e modelos experimentais de doenças.

Estratégia da USP em pesquisa e internacionalização

Novo prédio cria um ambiente propício para projetos em grande escala e formação de recursos humanos altamente qualificados — Foto: Isabelle Rodrigues/Dr. Fisiologia

Durante a inauguração do prédio, o reitor da USP, professor Carlos Gilberto Carlotti Júnior, destacou que o CPCBio está alinhado à estratégia da universidade de fortalecer a pesquisa de fronteira e a cooperação internacional. Segundo ele, estruturas desse porte reforçam o papel da USP como referência em ciência e inovação, ao criar um ambiente propício para estudos multicêntricos, projetos em grande escala e formação de recursos humanos altamente qualificados.

Carlotti também ressaltou a articulação do CPCBio com outras iniciativas do campus de Ribeirão Preto, aproximando a universidade das demandas da sociedade e do sistema de saúde. Segundo o reitor, o centro foi projetado para funcionar como uma rede ativa conectada a diferentes instituições e níveis de formação, fortalecendo parcerias com o Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Hemocentro, Unidade de Pesquisa Clínica da FAEPA, InovaUSP, Parque Tecnológico Supera e instituições como Embrapii, Fiocruz, Instituto Butantan e o Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), aproximando a pesquisa acadêmica das demandas do setor produtivo e da sociedade.

Impacto regional e relação com o SUS

O prefeito de Ribeirão Preto, Ricardo Silva, também enfatizou o impacto do CPCBio para a cidade e a região. Segundo ele, centros como o CPCBio mostram como a pesquisa produzida na universidade pode chegar às ruas, salvar vidas e fortalecer o Sistema Único de Saúde. Durante o discurso, afirmou que esse novo ciclo de pesquisa pode significar a cura de muitas doenças e defendeu que a universidade pública de qualidade continue “saltando os muros” para levar soluções concretas à coletividade.


Eduardo Nazaré

Dr. Fisiologia — Assessoria de Comunicação da FMRP-USP