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Foto Joel Silva Forbes

Egressa da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto é destacada pela Forbes entre mulheres que transformam a ciência no Brasil

Pesquisadora investiga mecanismos biológicos das psicoses e ganha reconhecimento internacional por suas contribuições à pesquisa em saúde mental

A pesquisadora Fabiana Corsi Zuelli, egressa do Programa de Pós-Graduação em Neurologia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP, foi destacada pela revista Forbes na lista das 10 mulheres brasileiras que estão transformando a ciência no país. A publicação foi divulgada em alusão ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência e reúne pesquisadoras que vêm contribuindo para avanços científicos em diferentes áreas.

Fabiana Zuelli desenvolve pesquisas sobre os mecanismos biológicos envolvidos nos transtornos psicóticos, buscando compreender como fatores biológicos e ambientais podem influenciar o surgimento e a evolução dessas condições. Atualmente, ela realiza estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford, no Reino Unido, com bolsa internacional.

Trajetória científica 

A formação acadêmica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto teve papel central no desenvolvimento da trajetória científica da pesquisadora. Durante sua passagem pelo Programa de Pós-Graduação em Neurologia, Fabiana teve contato com um ambiente de pesquisa que incentiva o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e a investigação científica voltada à prática clínica.

“É um ambiente que valoriza a excelência científica e incentiva o diálogo entre diferentes áreas do conhecimento”, afirma Fabiana.

Segundo ela, a experiência na FMRP contribuiu para consolidar seu interesse em estudar os mecanismos biológicos relacionados aos transtornos psiquiátricos. O objetivo de suas pesquisas é aproximar descobertas da ciência básica das necessidades clínicas da saúde mental.

Pesquisa investiga mecanismos biológicos das psicoses

Durante o doutorado, Fabiana desenvolveu uma tese voltada à investigação da relação entre inflamação de baixo grau e o continuum das psicoses, analisando como fatores biológicos e ambientais podem contribuir para o desenvolvimento desses transtornos.

O estudo recebeu o Prêmio Tese Destaque USP, na grande área de Ciências da Saúde, reconhecimento concedido a pesquisas que apresentam originalidade e relevância científica e social.

A investigação buscou compreender de que forma alterações no sistema imunológico podem estar associadas ao surgimento e à evolução de sintomas psiquiátricos. Pesquisas nessa área podem contribuir para o desenvolvimento de novos biomarcadores e estratégias terapêuticas mais direcionadas.

“O objetivo é caminhar para uma psiquiatria mais precisa, em que possamos intervir mais cedo e de forma mais personalizada, melhorando o prognóstico dos pacientes”, explica Fabiana. 

Reconhecimento científico nacional e internacional

Além do prêmio concedido pela USP, a trajetória da pesquisadora também ganhou projeção internacional. Fabiana se tornou a primeira brasileira a receber o USERN Prize em Ciências Médicas, premiação que reconhece cientistas em início de carreira com impacto global.

O prêmio é concedido por um conselho internacional composto por centenas de cientistas de diferentes países, incluindo pesquisadores de destaque na comunidade científica. O reconhecimento reforça a relevância de estudos voltados à compreensão dos transtornos mentais e amplia a visibilidade da pesquisa científica brasileira no cenário internacional.

Pesquisa em saúde mental em ambiente internacional

Atualmente, Fabiana realiza estágio de pós-doutorado na Universidade de Oxford, onde aprofunda estudos sobre os mecanismos biológicos envolvidos nas psicoses. “A universidade oferece um ambiente colaborativo e acesso a grandes bases de dados”, afirma Fabiana.

No novo ambiente de pesquisa, ela integra diferentes abordagens científicas, combinando imunologia, dados genômicos e análise computacional para compreender melhor os processos envolvidos nesses transtornos.

A pesquisadora também recebeu financiamento da UK Research and Innovation (UKRI), uma das principais agências de fomento à pesquisa do Reino Unido, para o desenvolvimento de projetos em colaboração com centros internacionais.

“Esse apoio representa um passo importante na consolidação da minha trajetória como pesquisadora independente e permitirá o desenvolvimento de projetos em colaboração com centros de excelência internacionais, incluindo as universidades de Oxford e Cambridge”, exemplifica Fabiana.

Perspectivas para fortalecer a pesquisa científica

Nos próximos anos, Fabiana pretende continuar desenvolvendo pesquisas voltadas à chamada ciência translacional em saúde mental, que busca conectar descobertas biológicas com aplicações clínicas.

“Também tenho grande interesse em fortalecer colaborações entre instituições brasileiras e centros internacionais de pesquisa, ampliando as oportunidades para a ciência produzida no Brasil”, conclui Fabiana. 


Texto: Laura Madalossi*
*Estagiária sob supervisão de Renata Steinbach
Dr. Fisiologia — Assessoria de Comunicação da FMRP-USP